segunda-feira, 14 de maio de 2012

A SECA DE 2012


Seca, fenômeno climático que aterroriza as populações interioranas há tempos imemoriais, vetoras de catástrofes, inimiga pungente da qualidade de vida, artifício vergonhoso de uma indústria mais que secular.

A história das secas no nordeste brasileiro é antiga. Inúmeros registros descreveram com linhas fortes a ação inexorável da natureza sobre o homem do semiárido, pois diversas trouxeram o signo de tragédias indescritíveis.

A calamidade que atingiu o nordeste brasileiro quando da grande e inesquecível seca de 1877-1879, a qual na definição de Rodolfo Teófilo caracterizou-se por ter sido um dos mais castigantes fenômenos de estiagem que atingiu a região nordestina, responsabilizou-se só no Ceará pela morte ou pela emigração de mais de 300 mil pessoas.

O ano de 2012 iniciou-se com uma incógnita: chuvas cairão para alento do heróico povo do semiárido? Poucos milímetros estão sendo registrados, mesmo assim impossíveis de garantir que a agricultura de subsistência abasteça com o excedente os centros urbanos, tendo em vista que o agrobusiness impera de forma avassaladora visando o mercado externo, com toda tecnologia de primeiro mundo que desdenha a necessidade da maioria da população que depende da química dos céus a fim de garantir o sucesso do plantio.

Seca lastimável, providências tétricas e patéticas que nem sempre cumprem papel democrático em assistir o imenso somatório de desafortunados que em um passado distante comoveram Jesuíno Brilhante, fazendo-o agir de forma Robinhoodiana nos sertões potiguares e paraibanos à base da força coercitiva dos seus bacamartes que ousaram com coragem a apontar bem no coração dos agentes a serviço da indústria das secas.

A calamidade que se agiganta, trazendo dia após dia agruras à população, provocadas com a seca de 2012, está sendo comparada ao que foi observado há 30 anos quando da indescritível estiagem que teve início em 1979 e adentrou de forma intolerável, desumana e horripilante até meados da década seguinte do século passado.

Dramático observar que a poesia de Patativa do Assaré, imortalizada pelo expoente maior da música regional nordestina, continua atualíssima. A fuga em direção a centros mais hospitaleiros do ponto de vista socioeconômico, de geração de emprego e renda, embora eivado de preconceitos, ainda continua a afligir mentes e corações daqueles que são por natureza apegados à terra, possuidores de relação telúrica extraordinária com o meio. 

Cotidianamente milhares de nordestinos desembarcam na porção mais rica da nação em busca de melhores condições de vida. Em inúmeros casos encontram condições de existência piores do que deixou em seu torrão natal. Subemprego e marginalidade passam a integrar de forma corriqueira as paisagens nas quais se inserem.

Triste constatar em nossas feiras que a lei da oferta e da procura rege as relações comerciais. O feijão, símbolo da agricultura familiar, alcança preços estratosféricos a cada dia que passa, frutos da indisponibilidade do produto em razão da ausência de chuvas.

Penoso é saber que a falta de critérios e de humanismo com a região nordeste em tempos de crises provocadas pelo drama climatérico ainda são constantes e tidos como naturais por aquela minoria que usurpou o poder e todas as benesses enquanto legados meticulosamente trabalhados desde a nossa formação socioeconômica.

* José Romero Araújo Cardoso, geógrafo, professor-adjunto do departamento de geografia do Campus Central da UERN.

sábado, 12 de maio de 2012



MÃE PARA SEMPRE!

Carlos Drummond de Andrade  
(31.10.1902/17.08.1987)

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e a chuva desaba;
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?

Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
- Mãe não morre nunca!
Mãe ficará sempre
junto de seu filho!
E ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

segunda-feira, 7 de maio de 2012



ZÉ  BRASIL  E  A  MATEMÁTICA!    -  II

Zé odeia a Matemática, porque ela mostra as nossas fragilidades.

Ele acredita piamente no governo e acha que o câmbio sobrevalorizado é o nosso problema.

Mas Zé, o buraco é mais embaixo. 

As nossas fragilidades vêm de uma série de fatores: 

A burocracia, a corrupção, a infraestrutura deficiente, a carga tributária, juros elevados e a guerra fiscal entre os Estados, tudo isto eleva o custo Brasil.

Veja o exemplo do custo da energia (R$ / MegaWatt- hora):

Brasil: 329,00 megawatt;  

Alemanha: 213,4 megawatt;  

Índia: 188,1 mega watt; 

China: 142,4 megawatt;   

EUA: 117,4 megawatt 

Rússia: 91,5 mega watt.
Givaldo Soares

sábado, 28 de abril de 2012


                              Zé Brasil  e  a  Matemática! (I)


Zé Brasil é um popular que representa simbolicamente o nosso País.
 

Zé não gosta de Matemática e é enganado por qualquer demagogo-populista.
 

Quando falam que o Brasil não vai bem na educação, Zé fica doente e protesta:
 

- Rapaz, o Brasil está bombando entre os BRICS!!!
 

Quando mostro os números a Zé, ele fica triste...
 

Formação de engenheiros por ano:
 

China:  650 mil; 

Índia:    220 mil; 

Rússia: 190 mil; 

Coreia do Sul: 80 mil...  

Brasil: (Só... 40 mil).
 

                          
                                           Givaldo Soares

sexta-feira, 20 de abril de 2012

NOSSA HOMENAGEM A TIRADENTES!


SALVE 21 DE ABRIL, 
DIA DO PATRONO CÍVICO DA NAÇÃO: TIRADENTES!
 

Dentre os personagens históricos considerados heróis da Pátria, TIRADENTES tem um significado especial para a classe odontológica, tendo em vista a sua atuação, digamos, profissional, numa importante fase da sua vida, pois aprendeu com o padrinho as técnicas de remoção de dentes e, posteriormente, criou maneiras de confeccionar próteses, portanto, reabilitando os pacientes dos quais removera os elementos dentários.

Toda a trajetória desenvolvida no planejamento da insurreição contra a Coroa Portuguesa, devido à ganância desta pelo ouro que aqui nas Minas Gerais era abundantemente extraído, já bastaria para colocar JOAQUIM JOSÉ DA SILVA XAVIER num merecido lugar de destaque.


Os historiadores desde então têm divergido sobre os fatos ocorridos na preparação, evolução e, principalmente, quanto ao desfecho do movimento libertário batizado de Conspiração, Inconfidência ou Conjuração Mineira, ocorrido em pleno século 18.


Independente dessas abordagens, documentadas ou não, sem dúvida Tiradentes merece importantíssimo destaque, tanto que a data da sua execução de maneira tão bárbara redundou na decretação do feriado nacional que ora desfrutamos.


Portanto, por tudo que ele representou para a nossa Pátria e, por extensão, para a Odontologia, louvemos a figura mítica de um dos mais célebres mineiros de todos os tempos!    
 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

GOL DE LETRA!!!


A revista Palumbo marcou “um gol de letra”.

Refiro-me à entrevista do Jornalista, Escritor e Acadêmico Murilo Melo Filho, que é,

ao mesmo tempo, um exemplo de bom jornalismo e de uma aula de história contemporânea.

O brilhante Jornalista desfia sua riquíssima vida a partir de sua vivência em Natal,

Nova Cruz e, depois, no Rio de Janeiro.

Fala de seus estudos no Marista, de seus professores e da pelada com os amigos,

próximo à Igreja Santa Terezinha. Tudo isso na década de 40.

Foi para o Rio de Janeiro e, como um Dom Quixote nordestino, não enfrentou os

moinhos de vento, e sim, os arranha céus de cimento armado.

Como Jornalista, começou no Correio da Noite, depois na Tribuna da Imprensa e,

finalmente, na revista Manchete, do judeu Adolfo Bloch, o homem de “O Pilão”.

O mundo parecia pequeno para o jovem Jornalista Norte-Rio-Grandense.

Ele chegou a entrevistar De Gaulle, Kennedy, Fidel Castro, Che Guevara, Nixon, Jânio

Quadros,Juscelino e muitas outras altas personalidades mundiais.

Aos redatores e ao jornalista Murilo Melo Filho, os parabéns!

E aos Confrades do blog - www.confram-natal.blogspot.com - um conselho:

Corram à banca de jornal e comprem a revista Palumbo, pois vale a pena!

Givaldo Soares

sexta-feira, 30 de março de 2012

MENINOS, EU VI!

Tomando água com auxílio do caranguejo...

Pertences do meu pai.

Moinho da minha Tia Josefa (detalhe)

Cajado do meu avô e moinho da Tia Josefa

Grupo na Livraria Cultura (Recife/PE), onde presenteamos Ayssa com o livro
O Homem que Calculava, do genial Malba Tahan.

Museu em Goiana/PE

Primas Luiza e Ayssa


Minha volta a Pernambuco foi emocionante!

Nunca as palavras de José Américo de Almeida tiveram tantas significações:
Voltar é uma forma de reviver; ninguém se perde no caminho da volta.

Minha irmã, Vilma Soares, me fez voltar ao tempo da infância em Lagoa dos Gatos/PE.

Ela é a curadora das coisas da família. Ainda guarda a navalha, a máquina e todos os pertences da atividade do nosso pai como barbeiro.

Vi também o moinho de pedra, com mais de 150 anos, de minha tia Josefa, que era usado para transformar o milho em xerém e mungunzá no sítio Periperi, onde o velho Antônio Leite tinha um engenho de aguardente e rapadura, onde o meu avô, Manoel Dudu, era o mestre.
O moinho é o retrato das dificuldades da época, de muita pobreza,
mas de muita alegria e felicidade.

Vi e me emocionei com o cajado do meu avô, que tinha mais de 90 anos, e que o ajudava na locomoção. Agradeci à minha irmã Vilma por guardar as coisas da família. Quanta saudade!!!

Fui a Goiana/PE, onde tomei um copo d'água com o super caranguejo segurando o copo.

Visitei o museu particular do artista plástico José do Carmo, em Goiana/PE, onde posei ao lado do Anjo Cangaceiro, obra de sua autoria, realizada para ser entregue ao Papa, mas impedido pela ação de Dom Helder Câmara,
argumentando que um anjo não pode ser cangaceiro...

Encerrando a maratona participamos do aniversário de Vilma, homenageamos minha sobrinha Ayssa Soares, pela sua colocação em 2º lugar na Olimpíada Nacional de Matemática, e fechamos a festa com um almoço, oferecido pela minha irmã Neuza, no restaurante
Entre amigos
, no bairro do Espinheiro (Recife), onde degustamos um bom vinho argentino
e um excelente bacalhau.

Givaldo Soares